sábado, 18 de abril de 2009

Aqui vai mais um poema de um livro que fiz juntando meus escritos da época de estudante. Nesse, eu tentei emular algumas características do Catulo. "Jucundum", era o termo empregado para a lírica latina. Isso queria dizer um humor sofisticado, não destinado ao riso desbragado, mas, como diria Machado de Assis, apenas uma leve contração nos músculos da face. Nesse caso, eu usei toda uma retórica política e militar, comum na época (ver Horácio), para transmitir a voz de alguém que está desesperado para encontrar a amante. O Catulo fez muito esse tipo de fusão de vozes e discursos. Diga-se de passagem, também o Ovídio, o Propércio, e o próprio Horácio ("motum ex metelo..."). Acho que poderíamos caracterizar esse procedimento como algo da última fase da época áurea da lírica latina. Bom, aí está o trabalho de um modesto imitador juvenil:

Quando forem procurar,
amigos Túlio e Aurélio,
singrando mares inóspitos,
ouros remotos,

trançadas trácias tiaras,
sandálias com fecho em prata
pulseiras pros braços jônias
e liras dóricas,

voarem em naus vitoriosas
e tesouros e cativos
ornarem volta de glória,
tragam a minha

Cíntia, maior dos tesouros.
Água da fonte de Ártemis
que Deusa dá pra curar
corações duros.

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